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Dor de garganta: causas, viral x bacteriana, alívio e quando se preocupar

Por Equipe Editorial GuiaDeSaudeAtualizado em 01 de junho de 202616 min de leitura
Pessoa jovem com a mão suavemente na garganta demonstrando desconforto, em ambiente claro
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A dor de garganta é um dos desconfortos mais comuns do dia a dia, sobretudo nos meses mais frios e nas épocas de resfriado e gripe. Ela pode se apresentar como ardência, sensação de arranhado, garganta seca ou dor ao engolir, e quase todo mundo já passou por isso mais de uma vez na vida. A boa notícia, que costuma surpreender, é que na imensa maioria das vezes a dor de garganta é causada por um vírus e melhora sozinha em poucos dias, sem precisar de antibiótico. Segundo o NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido, a dor de garganta normalmente desaparece por conta própria em até uma semana.

Este guia foi construído para ser uma referência completa e prática. Você vai entender o que é a dor de garganta, por que ela acontece, como diferenciar uma causa viral de uma bacteriana (incluindo a famosa faringite estreptocócica), o que fazer para aliviar em casa, por que o antibiótico não é a resposta para a maioria dos casos, e, sobretudo, quais são os poucos sinais de alerta que pedem atenção médica imediata. Tudo com base em fontes oficiais como o NHS, o MedlinePlus (da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos), o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) e os MSD Manuals.

O que é dor de garganta

Dor de garganta é o nome popular para o desconforto, a dor ou a irritação na região da faringe, a parte de trás da boca e do pescoço por onde passam o ar e os alimentos. Quando essa região fica inflamada, o quadro recebe o nome técnico de faringite. Se a inflamação atinge principalmente as amígdalas, aquelas duas estruturas arredondadas no fundo da garganta, fala-se em amigdalite. Na prática, é comum que as duas coisas aconteçam juntas, e por isso muitos profissionais usam o termo faringoamigdalite.

A dor surge porque a mucosa que reveste a garganta fica irritada ou inflamada, o que estimula as terminações nervosas da região. Essa irritação pode ter muitas origens: uma infecção por vírus ou bactéria, mas também ar seco, fumaça, alergias ou refluxo. Entender a origem é o que muda o cuidado adequado, e é por isso que a primeira pergunta importante é sempre a mesma: o que está por trás dessa dor de garganta?

A pergunta central: vírus ou bactéria?

A grande divisão das dores de garganta infecciosas é entre causa viral e causa bacteriana, e essa diferença é o coração deste guia, porque ela determina tanto o cuidado quanto a necessidade ou não de antibiótico.

Causas virais (as mais comuns)

As infecções por vírus são, de longe, a causa mais frequente de dor de garganta. Os resfriados e a gripe estão entre os principais responsáveis, e o MedlinePlus também cita a mononucleose entre as causas virais. O MSD Manuals reforça que a maioria das dores de garganta é causada por uma inflamação viral da garganta e das amígdalas, e que esses quadros se resolvem sem tratamento específico.

Quando a causa é viral, a dor de garganta costuma vir acompanhada de outros sinais típicos de vírus, como tosse, coriza (nariz escorrendo), rouquidão, espirros e, às vezes, olhos vermelhos (conjuntivite). O CDC destaca justamente que a presença de tosse, coriza, rouquidão e conjuntivite aponta mais para uma causa viral do que para o estreptococo. Nesses casos, o tratamento é voltado ao alívio dos sintomas, e o corpo se recupera sozinho em poucos dias, apoiado por hábitos que sustentam a imunidade, incluindo uma alimentação equilibrada com nutrientes como a vitamina D.

Causa bacteriana (faringite estreptocócica)

Menos frequente, porém importante, é a dor de garganta causada por bactéria. O principal agente é o estreptococo do grupo A, que causa a chamada faringite estreptocócica. Esse é o ponto onde a famosa estatística entra: segundo o CDC, apenas cerca de 1 em cada 10 adultos e 3 em cada 10 crianças com dor de garganta têm, de fato, infecção por estreptococo. Ou seja, mesmo entre quem está com a garganta doendo, a maioria não tem a bactéria.

Os sinais que levantam a suspeita de faringite estreptocócica, segundo o CDC, são:

  • Dor de garganta de início súbito
  • Dor ao engolir
  • Febre
  • Amígdalas vermelhas e inchadas
  • Placas ou pontos brancos de pus nas amígdalas
  • Pequenos pontos vermelhos no céu da boca (petéquias)
  • Gânglios (ínguas) inchados e doloridos no pescoço

O CDC observa um detalhe que ajuda muito: a faringite estreptocócica costuma vir sem tosse. Por isso, quando há tosse, coriza e rouquidão, a balança pende para o lado viral. Ainda assim, vale uma honestidade importante: tanto o CDC quanto o MSD Manuals reconhecem que é difícil diferenciar uma garganta com estreptococo de uma garganta viral apenas pela aparência. É por isso que existem os testes, dos quais falaremos adiante.

Outras causas, sem infecção

Nem toda dor de garganta é causada por germes. O MedlinePlus e o NHS lembram que alergias, ar muito seco, irritação por fumaça de cigarro (ativa ou passiva) e o refluxo (a subida do ácido do estômago) também podem irritar a garganta e causar dor sem que haja qualquer infecção. Falar ou gritar demais e respirar pela boca durante o sono também podem deixar a garganta dolorida e seca.

Tabela comparativa: dor de garganta viral x bacteriana (estreptococo)

A tabela a seguir reúne os padrões mais típicos descritos pelo CDC e pelo MSD Manuals. Ela ajuda a entender as tendências, mas não substitui a avaliação médica, porque os quadros podem se sobrepor.

CaracterísticaCausa viral (a mais comum)Faringite estreptocócica (bactéria)
FrequênciaA grande maioria dos casosCerca de 1 em 10 adultos e 3 em 10 crianças
Início da dorCostuma ser gradualEm geral súbito
TosseComumGeralmente ausente
Coriza e espirrosComunsGeralmente ausentes
RouquidãoComumIncomum
Olhos vermelhos (conjuntivite)Pode aparecerNão é típico
FebrePode ocorrer, em geral mais leveComum
Placas de pus nas amígdalasMenos comumFrequente
Gânglios doloridos no pescoçoPossívelFrequente
TratamentoAlívio dos sintomas, melhora sozinhoPode precisar de antibiótico prescrito
Mulher tocando a garganta com expressão de desconforto por causa de dor de garganta
A dor e a irritação ao engolir estão entre os sintomas mais comuns da dor de garganta.

Sintomas: o que costuma acompanhar a dor de garganta

A dor de garganta raramente vem sozinha. Dependendo da causa, ela pode se apresentar com diferentes sintomas associados. Os mais comuns incluem:

  • Sensação de arranhado, ardência ou garganta seca
  • Dor que piora ao engolir ou ao falar
  • Vermelhidão no fundo da garganta e nas amígdalas
  • Inchaço das amígdalas, às vezes com placas de pus
  • Gânglios (ínguas) doloridos no pescoço
  • Febre, mais associada a quadros como o estreptococo
  • Sintomas de resfriado e gripe, como tosse, coriza, espirros e dor de cabeça, nas causas virais
  • Rouquidão e mudança na voz

A combinação desses sintomas é o que dá pistas sobre a origem. Um quadro com tosse, coriza, espirros e dor de garganta leve sugere fortemente uma virose. Já uma dor de garganta intensa e súbita, com febre e placas de pus, sem tosse, levanta a suspeita de estreptococo, que merece avaliação para teste.

Como diferenciar na prática

A pergunta que mais aparece é simples: dá para saber em casa se é viral ou bacteriana? A resposta honesta é que dá para ter uma boa suspeita, mas não uma certeza. As pistas que pesam para o lado viral são a presença de tosse, coriza, rouquidão, espirros e olhos vermelhos. As pistas que pesam para o estreptococo são a dor de início súbito, a febre, a ausência de tosse, as placas de pus nas amígdalas e os gânglios doloridos no pescoço.

Existem ferramentas clínicas que os médicos usam para estimar essa probabilidade, somando pontos por características como febre, ausência de tosse, gânglios aumentados e amígdalas com pus, além da idade. Mas, como lembram o CDC e o MSD Manuals, a aparência sozinha engana. A confirmação vem de um teste rápido para estreptococo ou de uma cultura de material colhido da garganta (o swab), que o profissional decide solicitar conforme o caso. Por isso, a melhor conduta diante da dúvida não é adivinhar, e sim observar os sintomas, cuidar do conforto e procurar avaliação quando os sinais sugerem estreptococo ou quando surgem sinais de alerta.

Quando o antibiótico pode ser necessário

Este é um dos pontos mais mal compreendidos sobre dor de garganta, e por isso merece uma seção própria. A regra de ouro é direta: antibióticos só funcionam contra bactérias e não agem contra vírus. Como a maioria das dores de garganta é viral, a maioria simplesmente não se beneficia de antibiótico.

O antibiótico entra em cena quando há uma infecção bacteriana confirmada, em especial a faringite estreptocócica, e a decisão é sempre médica. Segundo o CDC, tratar o estreptococo com antibiótico tem objetivos claros: combater a infecção e prevenir complicações, como a febre reumática (que pode afetar o coração), problemas nos rins e abscessos. Por isso, quando o teste confirma o estreptococo, o tratamento é importante.

Por outro lado, o uso de antibiótico sem necessidade traz problemas. Ele não acelera a melhora de uma virose, pode causar efeitos colaterais e contribui para a resistência bacteriana, um problema sério de saúde pública em que as bactérias deixam de responder aos medicamentos. É por isso que guardar sobras de antibiótico em casa e tomá-las à primeira dor de garganta é um erro. Neste guia, não indicamos nomes, doses ou esquemas de medicamentos, porque essa é uma decisão exclusiva do profissional de saúde que avalia o caso, levando em conta o exame, o teste e o histórico de cada pessoa.

Mãos segurando uma caneca de chá morno com mel e limão
Líquidos mornos e repouso estão entre as medidas de autocuidado que ajudam a aliviar o desconforto, segundo o NHS.

Como aliviar a dor de garganta em casa

Para os quadros virais, que são a maioria, medidas simples de conforto costumam ser suficientes enquanto o corpo se recupera. As orientações abaixo reúnem o que recomendam o NHS e o MedlinePlus:

  • Hidrate-se bem. Beber líquidos ao longo do dia ajuda a manter a garganta úmida e o corpo bem hidratado. O NHS reforça a importância de beber água com regularidade.
  • Faça gargarejos com água morna e sal. O NHS sugere usar cerca de meia colher de chá de sal dissolvido em água morna. É uma medida de alívio, não indicada para crianças pequenas, que podem engolir a água.
  • Use pastilhas e sprays para garganta, se quiser. Ajudam a aliviar o desconforto. O farmacêutico pode orientar sobre opções com anestésico local ou antisséptico, segundo o NHS. Atenção ao risco de engasgo em crianças pequenas com pastilhas e balas duras.
  • Prefira alimentos frios ou macios e bebidas geladas. Podem ser mais fáceis de engolir e aliviar a sensação de garganta inflamada. Bebidas mornas, como um chá, também confortam, e o chá ainda é uma das fontes de polifenóis da dieta.
  • Descanse. O repouso e uma boa noite de sono ajudam o corpo a se recuperar.
  • Evite fumaça e ambientes com fumo. A fumaça de cigarro irrita ainda mais a garganta.
  • Analgésicos comuns podem ser usados para o desconforto em adultos, conforme o NHS e o MedlinePlus. Um alerta importante de segurança: crianças não devem tomar aspirina para dor de garganta, segundo o MedlinePlus. Qualquer medicação para crianças deve ser orientada por um profissional.

Essas medidas tratam o conforto, não a causa. Elas não substituem a avaliação médica quando ela é necessária, e não fazem o estreptococo desaparecer, por exemplo.

Quando procurar o médico

A maioria das dores de garganta melhora sozinha em poucos dias, mas existem situações que pedem avaliação profissional. Reunindo as orientações do NHS e do MSD Manuals, procure um médico, sem urgência extrema mas sem deixar para depois, se:

  • A dor de garganta durar mais de uma semana ou piorar de forma progressiva
  • Você tiver dores de garganta frequentes e repetidas
  • Houver febre alta ou febre que não cede
  • Houver sinais sugestivos de estreptococo (dor súbita, febre, placas de pus, gânglios inchados, ausência de tosse), para avaliar a necessidade de teste
  • Surgirem caroços no pescoço ou feridas na boca que não saram em três semanas
  • A pessoa tiver o sistema imunológico enfraquecido (por uma doença ou por algum tratamento), situação em que o médico pode pedir exames como o hemograma
  • Aparecerem sinais de desidratação, como urinar pouco ou urina muito escura

Em qualquer um desses casos, a recomendação é não se automedicar com antibiótico e deixar o diagnóstico e a decisão de tratamento com o profissional de saúde.

Sinais de alerta: quando é emergência

Esta é a seção mais importante do guia. A grande maioria das dores de garganta é inofensiva, mas existe um pequeno grupo de situações em que a dor pode estar associada a um quadro grave, como uma obstrução das vias aéreas, uma infecção da epiglote (epiglotite) ou um abscesso ao redor das amígdalas. Reunindo as orientações do NHS e do MSD Manuals, procure atendimento de emergência imediatamente se a dor de garganta vier com qualquer um destes sinais:

  • Dificuldade para respirar ou um som agudo e estridente ao respirar (estridor)
  • Dificuldade para engolir
  • Salivação excessiva, com baba escorrendo (sinal de que engolir está muito difícil)
  • Voz abafada, do tipo "batata quente"
  • Dificuldade para abrir a boca
  • Inchaço importante no rosto ou no pescoço
  • Sintomas que pioram muito rápido e de forma intensa
  • Um abaulamento visível no fundo da garganta

Um detalhe que o MSD Manuals destaca, especialmente em crianças: o sinal de uma criança que se senta inclinada para a frente, com o pescoço esticado e o queixo projetado, tentando respirar melhor, é particularmente preocupante e exige hospital imediatamente. A mensagem central é simples: dor de garganta com dificuldade de respirar, de engolir ou com salivação não deve ser tratada em casa. Na dúvida, procure ajuda de emergência.

Dor de garganta em crianças

As crianças merecem uma atenção especial por dois motivos. Primeiro, porque a faringite estreptocócica é mais comum nelas: segundo o CDC, o estreptococo do grupo A na garganta é mais frequente entre 5 e 15 anos de idade, e raro em menores de 3 anos. Por isso, em crianças dessa faixa com dor de garganta súbita, febre, placas de pus e sem tosse, a suspeita de estreptococo é maior e a avaliação para teste faz sentido.

Segundo, porque os sinais de alerta são ainda mais importantes nessa idade. O NHS recomenda procurar orientação quando a criança tem menos de 5 anos e você está preocupado. E os sinais de emergência (dificuldade para respirar ou engolir, salivação excessiva, recusa de líquidos, a postura inclinada para a frente para respirar) pedem pronto-socorro imediato. Vale também lembrar o alerta de segurança do MedlinePlus: crianças não devem tomar aspirina para dor de garganta. Qualquer medicação infantil deve ser orientada por um profissional, sem doses por conta própria.

Como o estreptococo se espalha e como reduzir o contágio

A faringite estreptocócica é contagiosa. Segundo o CDC, o estreptococo do grupo A se espalha pelo contato próximo, por gotículas respiratórias quando a pessoa tosse ou espirra, e o contato próximo com alguém infectado é o principal fator de risco. Ambientes com muitas pessoas juntas, como escolas e creches, favorecem a transmissão. O CDC também aponta que o tempo entre a exposição e o aparecimento dos sintomas costuma ser de 2 a 5 dias.

Para reduzir o contágio, valem as medidas básicas de etiqueta respiratória e higiene: lavar as mãos com frequência, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, não compartilhar copos e talheres, e evitar contato próximo com outras pessoas enquanto estiver doente. Quando há diagnóstico de estreptococo e início do antibiótico prescrito, o profissional orienta quando é seguro retornar às atividades.

Mitos e verdades sobre dor de garganta

"Toda dor de garganta precisa de antibiótico." Mito. A maioria é viral, e antibiótico não age contra vírus. Segundo o CDC, só uma minoria das dores de garganta é causada por estreptococo.

"Dá para saber só de olhar se é estreptococo." Mito. Tanto o CDC quanto o MSD Manuals afirmam que é difícil diferenciar a garganta viral da bacteriana apenas pela aparência. A confirmação vem de teste e avaliação médica.

"Tomar antibiótico que sobrou em casa resolve mais rápido." Mito, e perigoso. O uso indevido não acelera nada em uma virose, pode causar efeitos colaterais e alimenta a resistência bacteriana.

"Gargarejo com água morna e sal ajuda a aliviar." Verdade, como medida de conforto. É uma das orientações de autocuidado do NHS, sem substituir o tratamento da causa.

"Dor de garganta sempre vem com febre alta." Mito. Muitos quadros virais cursam com pouca ou nenhuma febre. A febre é mais associada ao estreptococo, mas não é obrigatória nem exclusiva.

"Pastilha cura a dor de garganta." Mito. Pastilhas e sprays aliviam o sintoma temporariamente, mas não tratam a causa da inflamação.

O que levar e perguntar na consulta

Para aproveitar melhor a avaliação, vá preparado. Tenha em mente respostas para perguntas como: há quantos dias começou a dor, se o início foi súbito ou gradual, se há febre, tosse, coriza ou rouquidão, se aparecem placas brancas nas amígdalas, se há gânglios doloridos no pescoço, se já tomou alguma medicação e se há pessoas doentes ao redor. Perguntas úteis para fazer ao médico incluem: a minha dor de garganta parece viral ou bacteriana, preciso de algum teste para estreptococo, quais medidas de alívio são adequadas para o meu caso, e quais sinais devem me fazer voltar com urgência.

Resumo: o que levar deste guia

A dor de garganta é comum e, na maioria das vezes, causada por vírus, melhorando sozinha em poucos dias. As pistas de causa viral são tosse, coriza, rouquidão e olhos vermelhos. As pistas de faringite estreptocócica são dor súbita, febre, placas de pus e gânglios doloridos no pescoço, em geral sem tosse, mas só o teste e a avaliação médica confirmam. O antibiótico não é a resposta para a maioria dos casos e deve ser reservado às infecções bacterianas confirmadas, com prescrição médica, tanto para tratar quanto para evitar a resistência bacteriana. Enquanto o corpo se recupera, hidratação, gargarejos com água morna e sal, pastilhas, repouso e ambientes sem fumaça ajudam a aliviar. E o ponto inegociável é reconhecer os sinais de alerta: dificuldade para respirar ou engolir, salivação excessiva, voz abafada e inchaço no pescoço pedem atendimento de emergência imediato. Na dúvida, procure orientação profissional.

Perguntas frequentes

Toda dor de garganta precisa de antibiótico?

Não. A maioria das dores de garganta é causada por vírus, e antibióticos não agem contra vírus. Segundo o CDC, apenas cerca de 1 em cada 10 adultos e 3 em cada 10 crianças com dor de garganta têm, de fato, infecção por estreptococo (uma bactéria). O antibiótico só deve ser usado quando há confirmação e prescrição médica, e o uso desnecessário não acelera a melhora, além de contribuir para a resistência bacteriana.

Como saber se a dor de garganta é viral ou bacteriana?

Sintomas como tosse, coriza, rouquidão e olhos vermelhos (conjuntivite) apontam mais para causa viral. Já a faringite estreptocócica costuma causar dor de início súbito, febre, dor ao engolir, amígdalas vermelhas e inchadas, placas de pus e gânglios doloridos no pescoço, em geral sem tosse. Mesmo assim, segundo o CDC e o MSD Manuals, é difícil diferenciar só pela aparência, e só um teste e a avaliação médica confirmam.

Quanto tempo dura uma dor de garganta?

Na maioria das vezes, a dor de garganta é viral e melhora sozinha. Segundo o NHS, costuma desaparecer por conta própria em até uma semana. Quando a dor dura mais do que isso, piora de forma progressiva ou vem com sinais de alerta, é hora de procurar avaliação médica.

Gargarejo com água morna e sal ajuda?

Sim, como medida de conforto. O NHS sugere gargarejar com água morna e sal (cerca de meia colher de chá de sal em água morna) para ajudar a aliviar o incômodo. É uma medida de alívio, não um tratamento da causa, e não é indicada para crianças pequenas, que podem não saber cuspir a água.

Pastilhas para garganta resolvem a dor de garganta?

Pastilhas e sprays podem aliviar temporariamente o desconforto, e o farmacêutico pode orientar sobre opções com anestésico local ou antisséptico, segundo o NHS. Elas tratam o sintoma, não a causa. Cuidado com crianças pequenas, pela possibilidade de engasgo com pastilhas e balas duras.

Posso tomar analgésico comum para dor de garganta?

Analgésicos comuns podem ser usados para o desconforto em adultos, conforme orientam o MedlinePlus e o NHS. Um ponto importante de segurança: crianças não devem tomar aspirina para dor de garganta, segundo o MedlinePlus. A escolha do medicamento e o uso em crianças devem ser orientados por um profissional de saúde, sem doses por conta própria.

O que é faringite estreptocócica e por que ela importa?

É a dor de garganta causada pela bactéria estreptococo do grupo A. Segundo o CDC, ela costuma dar dor de início súbito, febre, dor ao engolir, amígdalas vermelhas com placas de pus e gânglios inchados no pescoço, em geral sem tosse. Importa porque é uma das poucas causas de dor de garganta que pode precisar de antibiótico, prescrito pelo médico, justamente para tratar a infecção e prevenir complicações.

Dor de garganta em criança é mais preocupante?

As crianças merecem atenção redobrada. A faringite estreptocócica é mais comum entre 5 e 15 anos, segundo o CDC, e os sinais de alerta para ir ao pronto-socorro (dificuldade para respirar ou engolir, salivação excessiva, recusa de líquidos, postura inclinada para a frente) pedem avaliação imediata. O NHS recomenda procurar orientação quando a criança tem menos de 5 anos e você está preocupado.

Quando a dor de garganta é uma emergência?

Procure atendimento de emergência se houver dificuldade para respirar ou um som agudo ao respirar (estridor), dificuldade para engolir, salivação excessiva (baba escorrendo), voz abafada de batata quente, dificuldade para abrir a boca ou inchaço importante no rosto ou no pescoço. Segundo o NHS e o MSD Manuals, esses são sinais que pedem avaliação imediata, porque podem indicar quadros graves como obstrução das vias aéreas.

Ar seco e cigarro pioram a dor de garganta?

Sim. Ar muito seco, fumaça de cigarro (ativa ou passiva) e até o ar-condicionado podem irritar a garganta e causar ou agravar a dor sem que haja infecção, como lembram o MedlinePlus e o NHS. Manter-se em ambientes sem fumaça e bem hidratado ajuda a aliviar.

Antibiótico que sobrou em casa serve para dor de garganta?

Não use antibiótico por conta própria. Sobras de antibióticos não devem ser tomadas à primeira dor de garganta, porque a maioria das causas é viral e o antibiótico não age contra vírus. O uso indevido não acelera a melhora e alimenta a resistência bacteriana, um problema de saúde pública. O antibiótico só deve ser usado com infecção bacteriana confirmada e prescrição médica.

Referências bibliográficas
  1. Sore throat (NHS, Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido)
  2. Dor de garganta (MedlinePlus, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA)
  3. Strep throat / faringite estreptocócica (CDC, Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA)
  4. Dor de garganta (MSD Manuals, versão para o paciente)
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Equipe Editorial GuiaDeSaude

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