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Dor de cabeça: tipos, causas, sintomas e quando se preocupar

Por Equipe Editorial GuiaDeSaudeAtualizado em 01 de junho de 202618 min de leitura
Pessoa pressionando as têmporas com os dedos por causa de dor de cabeça
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A dor de cabeça é um dos problemas de saúde mais comuns do planeta, e provavelmente você já teve uma esta semana ou conhece alguém que teve. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os distúrbios de cabeça atingem cerca de 40% da população, o equivalente a 3,1 bilhões de pessoas em 2021, o que os coloca entre os transtornos mais frequentes do sistema nervoso. A boa notícia é que, na imensa maioria dos casos, a dor é benigna e passageira. A notícia que poucos conhecem é que existem tipos bem definidos, com gatilhos diferentes e formas de manejo diferentes, e que reconhecer o seu tipo é o primeiro passo para sofrer menos.

Este guia foi construído para ser uma referência completa: você vai entender o que é a dor de cabeça, como diferenciar os principais tipos, por que ela acontece, quais gatilhos evitar, como ela é diagnosticada, quais as abordagens de tratamento e, sobretudo, quais os poucos sinais de alerta que pedem atenção médica imediata. Tudo com base em fontes oficiais como a OMS, o MedlinePlus (da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos) e o NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido).

O que é dor de cabeça (cefaleia)

Dor de cabeça, ou cefaleia, é o nome dado a qualquer dor localizada na cabeça ou na parte superior do pescoço. Apesar de sentirmos a dor "na cabeça", o tecido do cérebro em si não dói, porque não possui receptores de dor. O que dói são estruturas ao redor: os músculos do crânio, do pescoço e dos ombros, os vasos sanguíneos, os nervos da face e do couro cabeludo e as membranas que revestem o cérebro. Quando uma dessas estruturas é estimulada, por tensão muscular, alterações nos vasos ou inflamação, o resultado é a dor que conhecemos.

A cefaleia pode surgir por si só, sem outra doença por trás, ou pode ser o reflexo de uma situação passageira, como uma noite mal dormida, uma gripe, jejum prolongado ou desidratação. Essa diferença é tão importante que a medicina divide as dores de cabeça em dois grandes grupos, que veremos a seguir.

Cefaleia primária e cefaleia secundária: a divisão que muda tudo

Antes de falar de tipos específicos, vale entender essa classificação, porque ela orienta tanto o tratamento quanto o nível de preocupação.

Cefaleia primária é aquela em que a dor de cabeça é o próprio problema, e não o sintoma de outra doença. Aqui entram os tipos mais comuns: a cefaleia tensional, a enxaqueca e a cefaleia em salvas. Elas são responsáveis pela esmagadora maioria das dores de cabeça e, embora possam ser muito incômodas, em geral não indicam risco à vida.

Cefaleia secundária é a dor que aparece como consequência de outra condição. O exemplo mais comum, segundo a OMS, é a cefaleia por uso excessivo de medicação. Mas a lista de causas secundárias é longa e inclui desde situações simples, como uma sinusite ou uma dor de garganta acompanhada de febre, até condições raras e graves, como infecções, sangramentos ou aumento de pressão dentro do crânio. É justamente para identificar as causas secundárias perigosas que existem os sinais de alerta descritos mais adiante.

Os principais tipos de dor de cabeça

A maior parte das dores de cabeça se encaixa em alguns padrões bem reconhecidos. Saber identificar o seu ajuda a aliviar mais rápido e a saber o que conversar com o médico.

Cefaleia tensional

É o tipo mais comum de dor de cabeça. A pessoa costuma descrever uma sensação de pressão ou aperto nos dois lados da cabeça, como se uma faixa estivesse apertando o crânio. A intensidade é geralmente leve a moderada, e a dor não costuma piorar com a atividade física do dia a dia. Segundo a OMS, a forma episódica, que ocorre em menos de 15 dias por mês, é relatada por mais de 70% das pessoas em algumas populações, e atinge cerca de 50% mais mulheres do que homens.

A cefaleia tensional está muito ligada ao estresse, à ansiedade e à tensão dos músculos do pescoço, dos ombros, do couro cabeludo e da mandíbula. Postura ruim, muitas horas na frente da tela e noites mal dormidas costumam alimentar esse tipo de dor.

Enxaqueca (migrânea)

A enxaqueca é uma dor de cabeça primária mais intensa e incapacitante. A OMS a descreve como crises recorrentes de dor de intensidade moderada a forte, com frequência de um lado só ou atrás do olho, de caráter pulsátil (parece latejar). As crises duram de 4 a 72 horas quando não tratadas e costumam vir acompanhadas de náusea, vômito e forte sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia). A dor tende a piorar com esforço físico, o que faz muita gente preferir ficar deitada num ambiente escuro e silencioso.

A enxaqueca costuma começar na puberdade e afeta principalmente pessoas entre 35 e 45 anos, sendo mais comum em mulheres. O MedlinePlus estima que cerca de 12% das pessoas tenham enxaqueca, e que as mulheres têm cerca de três vezes mais chance de apresentá-la do que os homens, o que aponta para o papel das alterações hormonais, presentes também em quadros como a TPM.

Cefaleia em salvas

É um tipo relativamente raro, que atinge menos de 1 em cada 1.000 adultos, segundo a OMS, e é mais comum em homens (cerca de seis homens para cada mulher). As crises são curtas, porém extremamente intensas, concentradas ao redor de um dos olhos, e podem se repetir várias vezes ao dia durante períodos chamados de "salvas". Pela intensidade e pelo padrão, é uma dor que sempre merece avaliação especializada.

Cefaleia por uso excessivo de medicação (dor de cabeça de rebote)

Esse tipo merece destaque por ser comum e, ao mesmo tempo, pouco conhecido. Quando uma pessoa usa remédios para dor com muita frequência, o próprio analgésico passa a alimentar um ciclo de dores de cabeça. A OMS aponta que essa cefaleia por uso excessivo de medicação pode afetar até 5% das pessoas em algumas populações, com predomínio em mulheres. O MedlinePlus associa o problema ao uso de medicação para dor em mais de três dias por semana. É um exemplo claro de como "tratar" a dor da forma errada pode piorá-la, e por isso o uso frequente de analgésicos sempre deve ser avaliado por um profissional.

Outras causas comuns de dor de cabeça

Além dos tipos acima, várias situações do dia a dia provocam dores de cabeça secundárias e passageiras, como gripes e resfriados, sinusite, problemas de visão não corrigidos, dores de cabeça relacionadas a alterações hormonais (como o período menstrual ou a menopausa), e dores ligadas a esforço, tosse ou atividade física. O NHS também lista a má postura, a desidratação e pular refeições entre as causas frequentes.

Tabela comparativa dos principais tipos

CaracterísticaCefaleia tensionalEnxaquecaCefaleia em salvas
LocalizaçãoDos dois lados, em faixaEm geral de um ladoAo redor de um dos olhos
Tipo de dorPressão, apertoPulsátil, latejanteEm pontada, muito intensa
IntensidadeLeve a moderadaModerada a forteExtremamente forte
DuraçãoDe horas a alguns diasDe 4 a 72 horasCrises curtas, repetidas no dia
Piora com esforçoGeralmente nãoSimCrise é intensa por si só
Sintomas associadosTensão muscularNáusea, sensibilidade à luz e somOlho vermelho e lacrimejante, nariz entupido
Quem é mais afetadoMais comum em mulheresCerca de 3 vezes mais em mulheresMais comum em homens

As quatro fases da enxaqueca

Uma das razões pelas quais a enxaqueca é tão particular é que ela costuma acontecer em fases. Nem todo mundo passa por todas, e elas variam de crise para crise, mas conhecê-las ajuda a antecipar e manejar melhor. O MedlinePlus descreve quatro fases possíveis:

  1. Pródromo: começa até 24 horas antes da dor. Pode haver sinais sutis como mudanças de humor, desejo por certos alimentos, bocejos ou aumento da vontade de urinar.
  2. Aura: acontece em parte das pessoas. São sintomas neurológicos temporários, mais comumente visuais, como ver luzes piscando, pontos brilhantes ou linhas em ziguezague. Pode haver também formigamento ou fraqueza muscular.
  3. Dor (cefaleia): a fase da dor em si, que costuma começar gradual e ficar mais forte, latejante e em geral de um lado, com sensibilidade à luz, ao som e a odores, além de náusea.
  4. Pósdromo: depois que a dor passa, é comum sentir cansaço, fraqueza e dificuldade de concentração por até um dia, naquilo que muitos chamam de "ressaca de enxaqueca".

Por que a dor de cabeça acontece: causas e mecanismos

Não existe uma única causa para a dor de cabeça, porque cada tipo tem um mecanismo diferente. Na cefaleia tensional, o protagonista é a tensão da musculatura do pescoço, dos ombros e do couro cabeludo, muitas vezes provocada por estresse, ansiedade e postura. Na enxaqueca, o mecanismo é mais complexo e envolve uma sensibilidade aumentada do sistema nervoso e a participação de nervos e substâncias que provocam inflamação e dor ao redor dos vasos do cérebro, com forte influência genética e hormonal.

Já as cefaleias secundárias têm a causa na condição que está por trás: a pressão dos seios da face inflamados na sinusite, a febre e a inflamação de uma gripe (que, por ser viral, não se trata com antibióticos), o esforço visual de um grau não corrigido, e assim por diante. Entender o mecanismo importa porque ele explica por que medidas diferentes funcionam para tipos diferentes de dor.

Gatilhos mais comuns

Gatilho é aquilo que dispara uma crise em quem já tem predisposição. Identificar e reduzir os seus gatilhos é uma das estratégias mais eficazes para diminuir a frequência das dores. Entre os mais citados pelas fontes oficiais estão:

  • Estresse, ansiedade e tensão muscular
  • Sono insuficiente, em excesso ou irregular
  • Pular refeições e jejum prolongado
  • Desidratação (beber pouca água)
  • Consumo de álcool
  • Excesso de cafeína, ou a sua retirada brusca
  • Alterações hormonais, como o período menstrual
  • Estímulos sensoriais, como luzes muito fortes e ruídos altos
  • Mudanças de clima e de rotina
  • Tabaco
  • Alguns alimentos, em pessoas sensíveis, como chocolate, queijos envelhecidos e carnes processadas
  • Uso excessivo de remédios para dor

Vale uma observação importante sobre alimentos e cafeína: os gatilhos são individuais. O que dispara dor em uma pessoa pode não ter efeito nenhum em outra. Por isso, mais útil do que cortar tudo da lista é descobrir os seus gatilhos pessoais, e a melhor ferramenta para isso é o diário de dor de cabeça, explicado mais adiante.

Dor de cabeça por região: o que cada localização costuma indicar

Muita gente procura entender o que significa a dor em um ponto específico. A localização ajuda, mas nunca fecha o diagnóstico sozinha. Veja os padrões mais comuns:

  • Dor nos dois lados, em faixa ao redor da cabeça: padrão clássico da cefaleia tensional.
  • Dor de um lado só, latejante: comum na enxaqueca, embora também apareça em outros tipos.
  • Dor ao redor de um dos olhos, muito intensa: padrão típico da cefaleia em salvas.
  • Dor na testa e no rosto, com sensação de pressão: pode estar associada à sinusite, em especial quando há congestão nasal e piora ao abaixar a cabeça.
  • Dor na nuca e na parte de trás da cabeça: com frequência ligada a tensão muscular e postura. Porém, uma dor súbita e explosiva na nuca é um sinal de alerta e exige atendimento imediato.

Quando a dor de cabeça é uma emergência: sinais de alerta

Esta é a seção mais importante do guia. A grande maioria das dores de cabeça não é perigosa, mas existe um pequeno grupo de situações em que a dor pode ser sinal de algo grave. Reunindo as orientações do NHS e do MedlinePlus, procure atendimento médico imediato (pronto-socorro ou serviço de emergência) se a dor de cabeça vier com qualquer um destes sinais:

  • Dor súbita e muito intensa, descrita como a pior da vida, que atinge o ápice em segundos ou poucos minutos
  • Dor que começa após uma pancada ou trauma na cabeça
  • Rigidez na nuca acompanhada de febre alta
  • Confusão mental, sonolência excessiva ou dificuldade para acordar
  • Convulsão (crise convulsiva)
  • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou para entender
  • Perda de visão, visão dupla ou alterações visuais persistentes
  • Dificuldade de equilíbrio ou de andar
  • Dor forte em um olho, com vermelhidão
  • Manchas na pele que não desaparecem ao pressionar, junto de febre

Além das emergências, há sinais que pedem uma consulta sem urgência extrema, mas sem deixar para depois, como apontam o NHS e a OMS: dores de cabeça que se tornam frequentes ou mais intensas com o tempo, que pioram de forma clara ao tossir, espirrar, se abaixar ou fazer esforço, que vêm com dor na mandíbula ao mastigar ou sensibilidade no couro cabeludo, ou que mudam de padrão em pessoas acima dos 50 anos. Vômitos repetidos junto da dor também merecem avaliação.

A mensagem central é simples: dor de cabeça com sintomas neurológicos novos, dor explosiva ou dor que muda de padrão não devem ser tratadas em casa. Na dúvida, procure ajuda.

Como é feito o diagnóstico

Não existe um exame único que diagnostique a maioria das dores de cabeça. Segundo o MedlinePlus, o diagnóstico das cefaleias primárias é essencialmente clínico, ou seja, baseado na história do paciente e no exame físico e neurológico. O médico costuma perguntar sobre a localização da dor, o tipo (pressão, latejante), a intensidade, a duração, a frequência, os sintomas associados, o que melhora e o que piora, e os possíveis gatilhos. Por isso, chegar à consulta com essas informações organizadas acelera muito o diagnóstico.

Exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, não são necessários na maioria dos casos de dor de cabeça comum. Eles costumam ser solicitados quando há sinais de alerta, quando a dor muda de padrão ou quando o médico suspeita de uma causa secundária. Exames de sangue, como o hemograma, também podem ser pedidos em situações específicas. A decisão de pedir ou não cada exame é do profissional que avalia o caso.

Pessoa deitada descansando em um quarto com pouca luz para aliviar a dor de cabeça
Descansar em um ambiente calmo, escuro e silencioso é uma das medidas simples que costumam ajudar a aliviar crises leves de dor de cabeça.

Abordagens de tratamento e manejo

O tratamento da dor de cabeça depende do tipo, da frequência e do impacto na vida da pessoa, e deve ser definido por um profissional de saúde. De forma geral, as abordagens se dividem em dois grandes grupos.

Tratamento das crises (agudo): busca aliviar a dor quando ela aparece. Pode incluir medidas não medicamentosas, como descansar em ambiente calmo e escuro, e o uso de medicamentos. O MedlinePlus cita, para a enxaqueca, classes de medicamentos específicos para crises, além de analgésicos comuns, e reforça um ponto prático: quanto mais cedo o tratamento da crise é iniciado, mais eficaz ele tende a ser. Importante: a escolha e o uso de qualquer medicamento, incluindo doses e frequência, são responsabilidade do médico, e o uso por conta própria e em excesso pode levar à dor de cabeça de rebote.

Tratamento preventivo: voltado a quem tem crises frequentes ou muito intensas, busca reduzir a frequência e a gravidade ao longo do tempo. Inclui, sobretudo, mudanças de estilo de vida (sono regular, hidratação, controle do estresse, atividade física) e, em casos selecionados, medicações de uso contínuo prescritas e acompanhadas por um médico. Algumas pessoas também recorrem a abordagens complementares, mas qualquer suplemento ou terapia deve ser conversado com um profissional antes de iniciar, e não substitui a avaliação médica.

Mãos segurando um copo de água com gotas de condensação perto de uma janela iluminada
Beber água ao longo do dia é uma das orientações de autocuidado citadas pelo NHS, já que a desidratação é um gatilho comum de dor de cabeça.

Prevenção e autocuidado baseado em evidência

Para episódios leves e ocasionais, e como apoio na prevenção, medidas simples de estilo de vida fazem diferença real. As fontes oficiais convergem nas seguintes orientações:

  • Hidrate-se bem. Beber água ao longo do dia é uma das recomendações de autocuidado do NHS, e a desidratação é um gatilho comum.
  • Durma de forma regular. Tanto a falta quanto o excesso de sono podem disparar dores. Horários constantes ajudam, e tratar problemas como a insônia costuma reduzir as crises.
  • Não pule refeições. O jejum prolongado é um gatilho frequente.
  • Gerencie o estresse. Como o estresse alimenta a cefaleia tensional e a enxaqueca, técnicas de relaxamento, pausas e atividade física ajudam.
  • Cuide da postura e das pausas de tela. Longos períodos na mesma posição tensionam pescoço e ombros.
  • Modere álcool e cafeína. Os dois, em excesso, são gatilhos conhecidos. O café, por exemplo, ajuda algumas pessoas e atrapalha outras, então vale observar como o seu corpo reage.
  • Evite transformar o analgésico em hábito. Usar remédio para dor em muitos dias do mês é o caminho para a dor de cabeça de rebote.

O diário de dor de cabeça: sua ferramenta mais poderosa

Entre todas as estratégias, o diário de dor de cabeça é uma das mais recomendadas e mais subestimadas. A ideia é simples: registrar cada crise anotando o dia e o horário, a intensidade, o que você comeu, como dormiu, o que estava fazendo antes e quanto tempo durou. Com algumas semanas de registro, padrões começam a aparecer, e fica muito mais fácil identificar gatilhos pessoais e avaliar o que está funcionando. Esse diário também é uma informação valiosa para levar à consulta.

Dor de cabeça em situações específicas

Algumas situações merecem atenção própria, sempre com a orientação de que cada caso deve ser avaliado individualmente por um profissional:

  • Na gravidez: mudanças hormonais podem alterar o padrão das dores. Como o uso de medicamentos na gestação tem restrições, qualquer remédio deve ser orientado pelo médico que acompanha a gestante.
  • Em crianças: dor de cabeça que piora, que atrapalha o sono ou que vem com outros sintomas merece avaliação, segundo o NHS.
  • Após os 50 anos: o surgimento de um novo tipo de dor de cabeça, ou a mudança clara de um padrão antigo, é um sinal que merece investigação.
  • Ao acordar ou que desperta a pessoa à noite: dores que sempre aparecem nesse padrão devem ser comentadas com o médico.

Mitos e verdades sobre dor de cabeça

"Toda dor de cabeça forte é enxaqueca." Mito. A intensidade sozinha não define o tipo. O conjunto de características (lado, tipo de dor, duração e sintomas associados) é o que diferencia.

"Se eu tomar bastante analgésico, resolvo de vez." Mito, e perigoso. O uso excessivo de remédios para dor pode provocar a cefaleia de rebote e cronificar o problema.

"Beber água ajuda a aliviar a dor de cabeça." Verdade em muitos casos. A desidratação é gatilho comum, e hidratar-se é orientação oficial de autocuidado.

"Dor de cabeça pode ser hereditária." Verdade, especialmente na enxaqueca, que tem forte componente genético e familiar.

"Toda dor de cabeça precisa de exame de imagem." Mito. A maioria não precisa. Tomografia e ressonância são reservadas para sinais de alerta ou suspeita de causa secundária.

O que levar e perguntar na consulta

Para aproveitar melhor a avaliação médica, vá preparado. Leve, se possível, o seu diário de dor de cabeça e tenha em mente respostas para perguntas como: há quanto tempo as dores começaram, com que frequência aparecem, em que parte da cabeça doem, qual o tipo de dor, quanto tempo duram, o que parece desencadear, o que alivia, quais remédios você já usou e com que frequência, e se há casos de enxaqueca na família. Perguntas úteis para fazer ao médico incluem: qual o tipo da minha dor de cabeça, preciso de algum exame, quais mudanças de hábito podem ajudar no meu caso e quais sinais devem me fazer voltar com urgência.

Resumo: o que levar deste guia

A dor de cabeça é comum e, na maioria das vezes, benigna. Os tipos mais frequentes são a cefaleia tensional (pressão dos dois lados) e a enxaqueca (dor pulsátil, de um lado, com náusea e sensibilidade à luz). Identificar o seu tipo, conhecer e reduzir os gatilhos, manter hábitos saudáveis e usar analgésicos com parcimônia são as bases do autocuidado. O ponto inegociável é reconhecer os sinais de alerta: dor súbita e explosiva, dor após trauma, ou dor acompanhada de febre com rigidez de nuca, confusão, fraqueza, alterações de fala ou visão pedem atendimento imediato. E, como existem tratamentos eficazes, dores frequentes ou que pioram com o tempo merecem ser investigadas. A própria OMS lembra que a maioria das pessoas com dores de cabeça ainda não recebe o diagnóstico e o tratamento adequados, então procurar orientação é, muitas vezes, o passo que falta para viver com menos dor.

Perguntas frequentes

Dor de cabeça frequente é sinal de algo grave?

Na maioria das vezes, não. As cefaleias mais comuns, a do tipo tensional e a enxaqueca, são primárias e benignas, ou seja, não indicam outra doença por trás. Mesmo assim, dores frequentes que atrapalham a rotina merecem avaliação médica, porque existem tratamentos eficazes e porque é importante afastar causas secundárias. A própria Organização Mundial da Saúde aponta que a maioria das pessoas com dores de cabeça não recebe diagnóstico nem tratamento adequados.

Qual a diferença entre enxaqueca e dor de cabeça tensional?

A cefaleia tensional costuma ser uma pressão dos dois lados da cabeça, como uma faixa apertada, de intensidade leve a moderada, e em geral não piora com atividade. A enxaqueca costuma ser pulsátil, com frequência de um lado só, de intensidade moderada a forte, dura de 4 a 72 horas, piora com esforço e pode vir com náusea, vômito e sensibilidade à luz e ao som.

Tomar remédio para dor com frequência pode piorar a dor de cabeça?

Pode. O uso excessivo de analgésicos é capaz de provocar a cefaleia por uso excessivo de medicação, também chamada de dor de cabeça de rebote, que afeta até 5% das pessoas em algumas populações. Ela tende a aparecer quando se usa remédio para dor em muitos dias ao longo do mês. Por isso, o uso frequente deve ser conversado com um profissional de saúde.

Dor de cabeça só de um lado é sempre enxaqueca?

Não. A dor de um lado só é comum na enxaqueca e na cefaleia em salvas, mas também pode aparecer em outros tipos. O lado da dor, sozinho, não fecha o diagnóstico. O conjunto de características (duração, tipo de dor, sintomas associados e o que piora ou melhora) é o que ajuda o médico a diferenciar.

Dor de cabeça na nuca é perigosa?

Na maioria das vezes, a dor na nuca está ligada a tensão muscular e postura, principalmente na cefaleia tensional. Mas uma dor súbita e muito intensa na nuca, ou acompanhada de rigidez no pescoço e febre, é um sinal de alerta que pede avaliação médica imediata.

O que pode causar dor de cabeça todos os dias?

Dor de cabeça quase diária pode ter várias origens, como estresse contínuo, problemas de sono, tensão muscular, uso excessivo de analgésicos e fatores de estilo de vida. Quando a dor aparece em 15 ou mais dias por mês, fala-se em cefaleia crônica, e isso sempre merece investigação médica para identificar a causa e o melhor manejo.

Café ajuda ou piora a dor de cabeça?

Os dois são possíveis. A cafeína pode aliviar algumas dores de cabeça, e por isso aparece em vários analgésicos. Mas o excesso de cafeína, ou a sua retirada brusca depois de um consumo alto, é um gatilho conhecido de dor de cabeça. O ponto de equilíbrio varia de pessoa para pessoa.

Quanto tempo dura uma crise de enxaqueca?

Uma crise de enxaqueca costuma durar de 4 a 72 horas quando não é tratada, segundo a Organização Mundial da Saúde. A intensidade e a duração variam de pessoa para pessoa e de uma crise para outra.

Desidratação causa dor de cabeça?

Sim. Beber pouca água é um gatilho frequente de dor de cabeça, e a recomendação de se hidratar bem aparece nas orientações de autocuidado de fontes como o NHS. Em muitos episódios leves, descansar e beber água já ajuda a aliviar.

Quando a dor de cabeça é uma emergência?

Procure atendimento imediato se a dor for súbita e muito intensa (a pior da vida), se vier após pancada na cabeça, ou se vier acompanhada de rigidez na nuca, febre alta, confusão, sonolência, convulsão, fraqueza ou dormência, dificuldade para falar, perda de visão ou alteração do equilíbrio. Esses são sinais de alerta que pedem avaliação urgente.

Referências bibliográficas
  1. Migraine and other headache disorders (Organização Mundial da Saúde, OMS)
  2. Headache (MedlinePlus, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA)
  3. Migraine (MedlinePlus, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA)
  4. Headache (MedlinePlus, Enciclopédia Médica)
  5. Headaches (NHS, Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido)
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Equipe Editorial GuiaDeSaude

A Equipe Editorial GuiaDeSaude pesquisa e redige conteúdos a partir de fontes médicas reconhecidas (PubMed, Ministério da Saúde, OMS, Mayo Clinic, entre outras). Toda informação é verificada contra pelo menos duas fontes antes da publicação.

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