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Ácido úrico: o que é o exame e o que significa estar alto

Por Equipe Editorial GuiaDeSaudeAtualizado em 06 de junho de 202610 min de leitura
Tubo de coleta de sangue com etiqueta de exame de ácido úrico sobre bancada de laboratório em luz neutra
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O ácido úrico é um daqueles itens do exame de sangue que muita gente já viu no laudo, mas poucos sabem explicar. Você recebe o resultado, vê a sigla e um número ao lado, com uma faixa de referência logo em seguida, e a dúvida aparece na hora: esse valor está alto? E se estiver, o que isso quer dizer? O ácido úrico é um resíduo natural que o corpo produz o tempo todo, e o exame serve para medir quanto dele está circulando. Entender o que ele representa ajuda você a chegar mais preparado à consulta.

A proposta deste guia é dupla. Primeiro, explicar de forma simples o que é o ácido úrico, de onde ele vem, como é feito o exame e quais são os valores usados como orientação geral. Segundo, deixar claro um ponto que costuma gerar confusão: ácido úrico alto, chamado de hiperuricemia, não é a mesma coisa que ter gota. Um valor elevado é um sinal para investigar, não um diagnóstico fechado. Quem interpreta o resultado e define a conduta é sempre o médico. Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

O que é o ácido úrico e de onde ele vem

O ácido úrico é um resíduo natural, ou seja, um produto que sobra do funcionamento normal do corpo. Ele se forma quando o organismo quebra substâncias chamadas purinas. As purinas estão presentes nas próprias células do corpo, que se renovam o tempo todo, e também em vários alimentos e bebidas que fazem parte do dia a dia. Sempre que essas purinas são processadas, o ácido úrico aparece como resultado final.

Em condições normais, esse resíduo segue um caminho bem definido. O ácido úrico se dissolve no sangue, passa pelos rins, que funcionam como um filtro, e é eliminado na urina. Quando esse equilíbrio funciona bem, o nível no sangue se mantém dentro de uma faixa esperada. O problema começa quando o corpo produz ácido úrico em excesso ou quando os rins não conseguem eliminar a quantidade suficiente. Nesses casos, o resíduo se acumula no sangue.

É esse acúmulo que pode trazer consequências em algumas pessoas. Quando há ácido úrico demais, parte dele pode se transformar em pequenos cristais em forma de agulha, que se depositam dentro e ao redor das articulações ou nos rins. Vale guardar uma ideia importante desde já: ter o ácido úrico um pouco acima da faixa não significa, por si só, que esses cristais vão se formar ou que você terá algum problema. Muita gente convive com valores altos sem nunca desenvolver doença.

Ilustração realista de cristais em forma de agulha depositados na articulação de um dedo do pé
Em excesso, o ácido úrico pode formar cristais que se depositam nas articulações, processo ligado à gota.

Como é feito o exame de ácido úrico

O ácido úrico pode ser avaliado de duas formas, e a escolha depende do que o médico quer investigar. A mais comum é o exame de sangue, que mede a concentração do resíduo na corrente sanguínea. A coleta é simples: um profissional retira uma pequena quantidade de sangue de uma veia do braço, geralmente na dobra do cotovelo, com uma agulha fina, e envia a amostra ao laboratório. É um procedimento de rotina, considerado seguro, parecido com o de um hemograma ou com a dosagem do colesterol LDL.

A outra forma é o exame de urina, em geral feito com a coleta de toda a urina ao longo de 24 horas. Enquanto o exame de sangue mostra quanto ácido úrico está circulando, o exame de urina mostra quanto está sendo eliminado pelos rins. Essa informação ajuda o médico a entender se o problema é de produção em excesso ou de eliminação insuficiente, e também a avaliar o risco de pedras nos rins em algumas situações.

O preparo pode mudar conforme o caso. Em muitas situações, pede-se um período de jejum antes da coleta de sangue, mas o tempo pode variar conforme o laboratório e o motivo do exame. Além disso, vários medicamentos podem interferir no resultado, então é importante avisar o profissional sobre o que você usa, sem suspender nada por conta própria. Manter uma boa hidratação nos dias anteriores também costuma facilitar a coleta. Como as orientações variam, o melhor é sempre seguir o que o laboratório e o seu médico indicarem antes de ir fazer o exame.

Valores de ácido úrico como orientação geral

Aqui chega a pergunta que mais aparece. Como orientação geral para adultos, muitos laboratórios usam faixas de referência aproximadas, sempre em miligramas por decilitro (mg/dL), que costumam ser diferentes para homens e mulheres:

  • Homens: cerca de 3,4 a 8,6 mg/dL, conforme o laboratório
  • Mulheres: cerca de 2,4 a 7,1 mg/dL, conforme o laboratório

Em linhas gerais, valores acima de 7 mg/dL nos homens e acima de 6 mg/dL nas mulheres costumam ser considerados altos, mas isso é apenas um ponto de partida. Já o ácido úrico muito baixo, abaixo de 2 mg/dL, é incomum. Para quem faz tratamento de gota, o médico pode definir um alvo mais baixo, por exemplo abaixo de 6 mg/dL, de acordo com o caso.

O ponto mais importante deste tópico é que essas faixas servem só como orientação. Os números impressos no laudo podem variar de um laboratório para outro, por causa dos métodos usados, e a interpretação depende muito do contexto de cada pessoa. Por isso o correto é olhar a faixa do próprio laudo e, principalmente, levar o resultado ao médico, em vez de comparar o seu número com o de outra pessoa ou tentar interpretar a tabela sozinho.

O que significa ácido úrico alto e a relação com gota e pedras nos rins

Um ácido úrico alto, chamado de hiperuricemia, significa, de modo geral, que há mais desse resíduo no sangue do que o desejável. Isso acontece basicamente por dois caminhos: o corpo produz ácido úrico em excesso, os rins não eliminam o suficiente, ou os dois ao mesmo tempo. É uma situação bastante comum, e nem sempre traz problemas. Na maioria das vezes, o ácido úrico alto em si não causa sintomas, e a pessoa descobre pela análise de sangue.

A relação mais conhecida do ácido úrico alto é com a gota. A gota é uma forma de artrite que aparece quando os cristais de ácido úrico se depositam nas articulações, causando crises de dor intensa, inchaço e vermelhidão, muitas vezes no dedão do pé. Aqui vale repetir o ponto central deste guia: ácido úrico alto não é o mesmo que gota. A hiperuricemia é apenas o nível elevado no sangue, enquanto a gota é a doença que pode, ou não, se desenvolver. A maior parte das pessoas com ácido úrico alto nunca terá uma crise de gota.

A segunda associação importante é com as pedras nos rins. O ácido úrico em excesso pode se acumular e favorecer a formação de cálculos em algumas pessoas, o que pode causar sintomas como dor nas costas ou dor do lado direito da barriga. Mais uma vez, isso não acontece com todo mundo. Por ser uma alteração silenciosa na maioria dos casos, o acompanhamento de rotina ajuda a identificar valores altos antes que tragam consequências. Um resultado elevado é, acima de tudo, um convite para conversar com o médico, e não algo para resolver por conta própria.

Alimentos e hábitos que influenciam o ácido úrico

Vários fatores do dia a dia podem influenciar o nível de ácido úrico, e a alimentação é um dos mais comentados. Alimentos ricos em purinas tendem a contribuir para níveis mais altos. Entre eles estão as carnes vermelhas, os miúdos (como fígado e outras vísceras) e alguns frutos do mar, como camarão, sardinha e outros peixes. Bebidas adoçadas com frutose, como alguns refrigerantes e sucos industrializados, também aparecem com frequência nessa lista.

O álcool merece atenção à parte, em especial a cerveja, que costuma ser citada entre as bebidas que mais influenciam o ácido úrico. Além da dieta, outros fatores entram na conta: o excesso de peso, a desidratação, que dificulta a eliminação pelos rins, alguns problemas de saúde e certos medicamentos, como alguns diuréticos. A combinação desses fatores é o que importa, e não um único item isolado.

Do outro lado, alguns hábitos costumam fazer parte das orientações gerais de cuidado, sem que isso seja uma promessa de tratamento. Manter uma boa hidratação ao longo do dia, dar preferência a uma alimentação equilibrada com mais alimentos naturais, incluir opções como os alimentos ricos em polifenóis e cuidar do peso são atitudes ligadas a um estilo de vida mais saudável de forma geral. Cuidar de outros aspectos da rotina, como manter bons níveis de vitamina D, também compõe esse cuidado amplo. Reforçando: esses hábitos apoiam a saúde, mas não substituem a avaliação médica, e a decisão sobre o que fazer com o seu resultado é sempre do profissional.

Copo de água ao lado de prato com vegetais frescos e frutas sobre mesa de madeira clara
Boa hidratação e uma alimentação equilibrada fazem parte das orientações gerais de cuidado.

Ácido úrico baixo e quando procurar o médico

Embora a maior parte das dúvidas seja sobre o ácido úrico alto, o valor também pode vir baixo, o que é bem menos frequente. O ácido úrico baixo, em geral, não causa problemas de saúde. Em algumas situações, pode estar associado a certas condições hereditárias do metabolismo, a uma dieta muito pobre em purinas ou ao uso de alguns medicamentos. Como o quadro é incomum, a interpretação cabe ao médico, que avalia o resultado junto com o restante da sua história.

Em qualquer cenário, alto ou baixo, levar o resultado ao médico é o passo mais importante. Vale procurar avaliação ao receber um exame alterado, ao ter crises de dor e inchaço em uma articulação, ao perceber fatores de risco como histórico familiar, e também nos check-ups de rotina, conforme a orientação para a sua idade e o seu estado de saúde. O médico cruza o ácido úrico com os seus sintomas, o seu histórico e outros exames, como o TSH, antes de chegar a qualquer conclusão.

Por isso, o uso correto de um guia como este é servir de apoio para entender o exame e fazer perguntas melhores na consulta. Sintomas e mal-estares têm muitas causas e não devem ser ligados diretamente ao ácido úrico sem avaliação, assim como mudanças naturais ao longo da vida, incluindo as que fazem parte da saúde do homem. Da mesma forma, o uso de qualquer medicamento, incluindo antibióticos durante um quadro como uma gripe, deve ser sempre conversado com o profissional, que enxerga o quadro inteiro. O autodiagnóstico e a automedicação são arriscados, e nenhuma tabela de referência muda isso.

Resumo: o que levar deste guia

O ácido úrico é um resíduo natural que o corpo produz ao quebrar as purinas, vindas das próprias células e de vários alimentos. O exame de ácido úrico mede esse resíduo no sangue ou na urina e costuma ser usado para investigar a gota, acompanhar quem já a trata e avaliar pedras nos rins. Como orientação geral, valores acima de cerca de 7 mg/dL nos homens e de 6 mg/dL nas mulheres costumam ser considerados altos, mas as faixas variam por laboratório e por sexo, e servem apenas como ponto de partida.

O ponto inegociável é que ácido úrico alto, a hiperuricemia, não é o mesmo que gota, e um valor isolado não fecha diagnóstico. Em excesso, o ácido úrico pode formar cristais ligados à gota ou favorecer pedras nos rins, mas isso não acontece com todo mundo. Hábitos como boa hidratação, alimentação equilibrada e cuidado com o álcool fazem parte das orientações gerais, sem substituir a consulta. Use este guia para entender o exame e conversar melhor com o seu médico, nunca para se autodiagnosticar.

Perguntas frequentes

O que é o ácido úrico?

O ácido úrico é um resíduo natural que o corpo produz quando quebra substâncias chamadas purinas. As purinas vêm das próprias células do corpo, que se renovam o tempo todo, e também de vários alimentos e bebidas. Em condições normais, o ácido úrico se dissolve no sangue, passa pelos rins e sai na urina. O problema aparece quando esse resíduo se acumula em excesso.

Para que serve o exame de ácido úrico?

O exame mede a quantidade de ácido úrico no sangue ou na urina. Ele costuma ser usado para ajudar a investigar a gota, para acompanhar quem já trata essa condição, para avaliar pedras nos rins e, em algumas situações, antes ou durante certos tratamentos. O resultado é sempre lido pelo médico junto com a sua história e outros exames.

Quais são os valores de referência do ácido úrico?

Como orientação geral, muitos laboratórios usam faixas em torno de 3,4 a 7,0 mg/dL para homens e de 2,4 a 6,0 mg/dL para mulheres, mas esses números variam de um laboratório para outro. Por isso o correto é olhar a faixa impressa no seu próprio laudo e levar o resultado ao médico, em vez de comparar o seu número com o de outra pessoa.

O que significa ácido úrico alto?

Ácido úrico alto, chamado de hiperuricemia, significa que há mais desse resíduo no sangue do que o desejável. Em geral, isso acontece quando o corpo produz ácido úrico demais ou quando os rins não eliminam o suficiente. Um valor alto isolado não fecha diagnóstico nem significa que você tem gota. É um sinal para conversar com o médico e investigar o quadro completo.

Ácido úrico alto é a mesma coisa que gota?

Não. Ácido úrico alto, a hiperuricemia, é apenas o nível elevado desse resíduo no sangue. A gota é uma forma de artrite que aparece quando cristais de ácido úrico se depositam nas articulações e causam crises de dor e inchaço. Muitas pessoas com ácido úrico alto nunca desenvolvem gota. Quem faz essa distinção, no seu caso, é o médico.

Preciso fazer jejum para o exame de ácido úrico?

Em muitos casos pede-se um período de jejum antes da coleta, mas o tempo pode variar conforme o laboratório e o motivo do exame. Alguns medicamentos também podem interferir no resultado. Por isso o ideal é seguir sempre a orientação do laboratório e do seu médico antes da coleta, sem suspender remédios por conta própria.

O que pode deixar o ácido úrico alto?

Vários fatores influenciam, como uma alimentação rica em purinas (carnes vermelhas, miúdos e alguns frutos do mar), o consumo de álcool, principalmente cerveja, bebidas adoçadas com frutose, excesso de peso, desidratação, alguns problemas nos rins e certos medicamentos, como alguns diuréticos. Como os fatores se combinam, o resultado precisa ser lido no contexto de cada pessoa.

Ácido úrico alto causa pedra nos rins?

O ácido úrico em excesso pode se acumular e favorecer a formação de pedras nos rins em algumas pessoas, mas não acontece com todo mundo que tem o valor alto. O exame de urina de 24 horas pode ajudar o médico a avaliar quanto ácido úrico você elimina e o risco de pedras. A interpretação e a conduta são sempre do profissional.

Ácido úrico alto dá sintomas?

Na maioria das vezes, o ácido úrico alto em si não causa sintomas, e a pessoa descobre a alteração pelo exame de sangue. Os sintomas que costumam preocupar, como dor e inchaço em uma articulação ou dor nas costas com pedra nos rins, vêm das condições associadas, e não do número em si. Qualquer sintoma deve ser avaliado pelo médico.

Beber água ajuda a controlar o ácido úrico?

A boa hidratação faz parte das orientações gerais de cuidado, porque a desidratação pode dificultar a eliminação do ácido úrico pelos rins. Beber água ao longo do dia é um hábito saudável, mas não é uma promessa de tratamento nem substitui a avaliação médica. Quem define a melhor conduta para o seu caso é sempre o profissional.

O que significa ácido úrico baixo?

O ácido úrico baixo é bem menos comum do que o alto e, na maior parte das vezes, não causa problemas. Em algumas situações, pode estar ligado a certas condições hereditárias, a uma dieta muito pobre em purinas ou ao uso de alguns medicamentos. Como o quadro é incomum, a interpretação deve ser feita pelo médico, junto com o restante da avaliação.

O resultado do ácido úrico serve para autodiagnóstico?

Não. Entender o exame ajuda na conversa com o médico, mas um número isolado não fecha diagnóstico nem define tratamento. O ácido úrico é analisado junto com a sua história, os sintomas e outros exames. Quem interpreta o resultado e decide a conduta é sempre o médico, nunca a tabela do laudo.

Referências bibliográficas
  1. Uric Acid Test (MedlinePlus, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA)
  2. Uric acid - blood (MedlinePlus Medical Encyclopedia)
  3. Hyperuricemia (High Uric Acid Level) (Cleveland Clinic)
  4. High and Low Uric Acid Levels: How to Stay in a Safe Range (Arthritis Foundation)
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